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revista olhares #05 |
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não tendo a intenção de dar uma visão global e abrangente sobre a dança contemporânea Grega, Turca e Ciprióta, a inclusão destes artigos de opinião na revista “olhares 05” da 9ª edição de “a sul” - Festival Internacional de Dança Contemporânea, têm o objectivo de possibilitar uma contextualização da programação, tentando assim assumir, uma vez mais, uma das premissas que perseguimos desde a primeira edição deste Festival – a divulgação da dança contemporânea de países do sul que vivem realidades políticas e sociais tensas.
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dança na Turquia |
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Após a criação da República da Turquia em 1923, deu-se uma aceleração na ocidentalização no país, processo que havia começado logo no início do século XIX com a acção do Sultão Mahmud II no Império Otomano. Na Turquia, ocidentalização foi sinónimo de modernização. Ataturk (herói nacional e fundador da república) acreditava que era possível misturar de uma forma harmoniosa a tradição nativa com a modernidade ocidental. O seu enfoque ia no sentido da modernização: entendia que deveriam ser reunidos esforços no sentido de transformar as estruturas sociais e mentais do passado e erradicar ideias irracionais, superstições e crenças religiosas que constituíssem obstáculos ao progresso económico e social (And, Metin; pg.64; Culture,Performance and Communication in Turkey /ILCAA, 1987). De acordo com este modo de pensar, foi dado um especial destaque às artes em geral e às artes performativas em particular. Foi criado em Ankara o conservatório público, em 1926, para actores, actrizes e cantores de ópera, seguindo-se o departamento de ballet em 1948, localizado primeiro em Istambul e transferido em 1950 para Ankara (a capital da República). Uma vez que modernização correspondia a ocidentalização, a formação académica em dança correspondia ao “ballet”, a forma europeia de dança clássica. Dame Ninette de Valois, fundadora do Royal English Ballet, foi escolhida para consultora, juntamente com outros artistas ingleses ligados ao ballet. Os primeiros bailarinos formados foram seleccionados e eleitos os primeiros bailarinos da Turkish State Opera and Ballet Houses, depois de 1957. Dançavam repertório clássico como Copellia, Les Sylphides, Sleeping Beauty, Giselle, etc. O panorama da dança turca esteve até este momento cheio de docente estrangeiros da Inglaterra, da Rússia, da Bulgária, e da Hungria. Em 1965, Dame Ninette de Valois coreografou, ironicamente, o primeiro ballet “turco”, denominado “Cesmebasi”/ “The Fountain”, inspirado por “Anatolian suite”, música de Ferit Tüzün, um dos primeiros compositores turcos a combinar música clássica ocidental com sonoridades turcas. Em 1968, foi apresentada a peça “Cark”/ “Grindstone” de Sait Sokmen, o primeiro coreógrafo natural da Turquia, seguida de “Duygu Aykal” e “Oytun Turfanda” de Geyvan McMillen, coreografias originais de ballet moderno, lançando sugestões para peças de modern dance que se realizariam mais tarde. Fizeram mais experiências com símbolos, histórias e músicas turcas, e num menor grau com o movimento gerado pelos corpos turcos, do que com o preestabelecido estilo clássico ocidental. Quando falo em elementos “turcos”, refiro-me somente à parte cultural, de modo algum a atitudes nacionalistas. A dança clássica ocidental tinha já um estilo bem definido, mas os jovens coreógrafos procuravam uma nova forma de movimento turco. Existia também uma tensão entre os estilos clássico e moderno na dança. A modern dance tinha então uma grande projecção na Europa e na América. De facto, os jovens bailarinos turcos que se tinham deslocada para a Europa e para a América, os alunos de Merce Cunningham e seguidores da técnica de Martha Graham, estavam a regressar à Turquia e começavam a formar, nos finais do anos 70, a modern dance turca. Geyvan McMillen, Aydin Teker, Beyhan Murphy constituiram uma geração de pioneiros na modern dance, criando também os primeiros departamentos de modern dance nas universidades e as primeiras companhias de modern dance integradas na State Opera and Ballet Houses – na realidade, a única deste género é a MDT/Modern Dance Company, ligada à Ankara State Opera and Ballet House. Tem sido um logo percurso entre o ballet clássico e a modern dance na Turquia, para a qual existe menor apoio, particularmente para os trabalhos originais e para a fixação de coreógrafos/docentes, manifestando-se maior entusiasmo relativamente às importações do estrangeiro/ocidente. Talvez uma das fraquezas da filosofia da ocidentalização tenha residido no grande entusiasmo pela importação da cultura ocidental, em detrimento da criação de recursos próprios ao longo deste período. Ao agregar harmoniosamente a tradição nativa com o modernismo ocidental, a Turquia necessitava de ter insistido nos valores próprios mais entusiasticamente e com muito menos preconceito. De qualquer maneira, no seguimento de um forte colapso de um Império e das suas tradições, ao que se somaram mudanças radicais a nível social, com a introdução de uma ideologia revolucionária (depois de 1923 aplicaram-se novas políticas no que toca à práticas religiosas, linguagem escrita, vestuário, leis e regras públicas), não existia a conjuntura ideal para ultrapassar os preconceitos e transformar os recursos nativos em algo verdadeiramente original. Posso dizer agora com alegria, que isto é precisamente o que começa a acontecer na dança contemporânea na Turquia. Meio século depois, a nova geração de bailarinos e coreógrafos e os alunos dos pioneiros da modern dance turca, estão a começar a criar trabalhos genuinamente ligados à sua cultura e a procurar novas maneiras de abordagem da mesma. A pesquisa de movimento próprio, de uma base conceptual e, provavelmente pela primeira vez, uma oposição política, são perceptíveis nos trabalhos recentes destes coreógrafos. Estes começam a descobrir as influências xamãs na cultura islâmica turca, a maioria evidentes nos “whirling derviches” dos Mevleviya, ou nas comunidades Bektasi/Alevi com o “Ayin-i Cem”. A tradição dos “Asik” na Anatólia e o seu modo específico de contar histórias – um Asik é um músico profissional e poeta que recita poemas da sua autoria, para além de saber de cor uma série de poesias de outros (And, Metin; pg. 74 ; Culture,Performance and Communication in Turkey). Os rituais folclóricos desta terra, a vida agitada das cidades cosmopolitas turcas e o seu quotidiano comum. Qualquer destes aspectos pode servir de inspiração aos coreógrafos contemporâneos turcos, o que antes era considerado improvável. Utilizam as técnicas e estilos académicos ocidentais, que mesclam com uma abordagem individual do movimento, bem como com as suas próprias técnicas originais adquiridas a partir de fontes diversas, incluindo as danças folclóricas da Turquia, os desportos e as artes marciais do Oriente. Também existe um maior aprofundamento da abordagem interdisciplinar, à medida que se desenvolve uma nova geração de artistas ligados à dança, formados em áreas diferentes como as ciências sociais, arquitectura, design, artes visuais, etc. O espaço de manobra é vasto e cheio de possibilidades, embora os alicerces ainda sejam muito fracos. Não há apoios para a área da dança por parte das autoridades locais nem de privados, salvo raras excepções. Encontrar estúdios de ensaio é um grande problema, e o aluguer de espaços para apresentações é demasiado dispendioso em relação ao que os artistas podem pagar. A cobertura dos media no que se refere à dança contemporânea é quase nula. Assim torna-se difícil chegar a uma grande camada de público, uma vez que não existe continuidade na apresentação de espectáculos. Apesar destes factores negativos, os coreógrafos turcos estão a criar mais e mantêm melhores relações do que antes, quando se apostava mais na importação de modelos internacionais. Se bem que devemos estar atentos relativamente a algumas armadilhas que possam existir neste plano, o que poderá potenciar uma outra relação de dependência com o Ocidente, ao desenvolver um conjunto de expectativas relativamente à obtenção de apoios internacionais e de convites aos performers, dando visibilidade a um trabalho que ao mesmo tempo tem poucas hipóteses de ser visível no seu próprio país. Não estou a sugerir que o apoio internacional seja algo que se deva temer. O que estou a tentar dizer é que mostrar trabalho somente no estrangeiro e não ser capaz de lhe dar visibilidade no prório país, é um problema que deve ser combatido com maior entusiasmo. Temos também de estar atentos às atitudes orientalistas Europeias – talvez menos agora que no passado – e às tendências para o orientalismo que ainda persistem entre os artistas turcos. Acredito que a consciência social e política é uma das ideias chaves para a criação, e espero que os jovens artistas da nossa dança contemporânea estejam cada vez mais em sintonia com estas ideias. Zeynep Gunsur
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Dance in Cyprus |
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Apesar da tradição da dança contemporânea no Chipre ser muito recente, a qualidade do trabalho realizado é surpreendentemente boa. O Chipre está equiparado ao resto da Europa, com grande parte das suas companhias a efectuar trabalho de investigação nas áreas do movimento, teatro, voz e vídeo, com base numa metodologia pós moderna. As performances não se limitam aos teatros convencionais, tendo-se vindo e investir, com forte ímpeto, na dança experimental. Infelizmente, existe uma grande lacuna na dança clássica, tanto no ballet como na dança moderna. Não temos uma companhia de ballet fundada pelo Estado, portanto, a maioria dos trabalhos apresentados são projectos pontuais contemporâneos. Pelo facto de existir uma carência óbvia no que toca às bases da dança tradicional, os trabalhos produzidos tendem a ser experimentais e baseados em recursos multimédia, relegando a dança para segundo plano. Esta é uma tendência actual que parece estender-se à maioria dos países europeus. O interesse pela dança no Chipre é grande, numa cidade como Limassol, com 150 000 habitantes, existem 90 escolas de dança. No entanto, ainda não temos um programa oficial dedicado às Artes Performativas, o que significa que os estudantes que desejem seguir uma carreira na dança têm que continuar os estudos no estrangeiro. A maioria dos bailarinos estudam na Grécia e no Reino Unido, embora alguns prefiram ir para os EUA, França e Rússia. Uma vez que não temos uma escola oficial de dança, ou um programa de nível superior, os bailarinos vêm para o Chipre com diferentes formações e experiências. No entanto, na sua maioria são versáteis, têm conhecimentos suficientes para executar uma série de técnicas de dança contemporânea, não havendo uma técnica que predomine e seja preferida pelos coreógrafos. Existe uma grande amálgama de estilos, mas infelizmente as técnicas estão bastante esbatidas, a maior parte dos coreógrafos têm preferência por uma espécie de técnica “livre”, pelo “release”. À excepção de um ou dois coreógrafos os restantes estão interessados em desenvolver trabalho conceptual. Consequentemente, não existe uma exploração real do movimento, nem uma estrutura rítmica e espacial.
O maior evento anual consiste na Plataforma de Dança Contemporânea, que tem lugar todos os anos em Março, no Rialto Theater em Limassol. Esta Plataforma dá a oportunidade às companhias de dança de apresentar novos trabalhos com o financiamento dos Ministérios da Educação e Cultura. Este ano realizou-se a 5ª Plataforma Anual, na qual se apresentaram trinta companhias, consistindo no maior número de participações alcançado até à data. Echo Arts, Omada Pelma, Solipsism, Omada En Drasei e InterAct Dance Theatre Group, foram algumas das companhias vencedoras deste certame. À dois anos atrás os coreógrafos e bailarinos cipriotas juntaram-se para criar a Associação de Companhias de Dança (Nea Kinisis), com o objectivo de obter melhores financiamentos e mais oportunidades de trabalho no Chipre. Actualmente estão activas 15 companhias de dança contemporânea.
Esta Associação de Companhias de Dança, bailarinos e coreógrafos do Chipre organizou o seu 2º Festival Anual entre 24 e 31 de Julho últimos, em Limassol. A ideia surgiu no ano passado, quando cinco companhias diferentes apresentaram trabalhos no Castelo Medieval de Limassol. Numa noite especial, o público teve oportunidade de circular no meio das performances observando de perto os trabalhos. No presente ano, sete companhias apresentaram site-specific performances, em Limassol aplicando maioritariamente concepções pós-modernas da dança teatro.Embora o número de companhias de dança seja grande, apenas algumas funcionam a tempo inteiro. Os grupos que mais se destacam são Omada Pelma, Echo Arts, InterAct, Chorotheatro Omada Pente, Solipsism Dance Company, Amfidromo Chorotheatro, Noema Dance Works, Omada En Drasei. A primeira companhia de performance que ainda está activa é a Diastasis. Os seus trabalhos incluem música, trabalho, teatro e ballet moderno e tendem a ser antiquados. Dara Milovanovic
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Verdades e Mitos da Dança Contemporânea Grega |
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Se os mitos e as histórias trágicas “dominaram” a Grécia antiga, nos nossos dias o que regula a condição dança contemporânea grega é o dramático efeito do amor pela dança que move aqueles que desejam trabalhar nesta área. O panorama da dança contemporânea grega é preenchido por mais de sessenta companhias de dança contemporânea registadas e por alguns coreógrafos independentes, que lutam por manter o seu lugar. Alguns têm a sorte de receber um subsídio do Ministério da Cultura, que chega às suas contas bancárias um ano depois de terem realizado as candidaturas e com alguns mil euros a menos que a quantia estabelecida. Outros trabalham sem qualquer pagamento, e para receber um salário leccionam ou envolvem-se em actividades completamente diferentes. Em 2003, o Ministério da Cultura subsidiou 23 companhias de dança através de um financiamento de 619.000,00 euros, atribuindo subsídios anuais que oscilaram entre os 17.000,00 e os 73.000,00 euros por companhia. Apesar do dinheiro não ser suficiente para pagar as despesas de produção (o que também não pode ser coberto pelas receitas de bilheteira), é possível garantir um salário básico para avançar com uma produção. É difícil discernir os “critérios de avaliação” às criações artísticas que o comité do Ministério da Cultura utiliza para a atribuição de subsídios. Poderíamos definir algumas características comuns no estilo destas produções de dança. Um aspecto geral é a escolha de bailarinos muito expressivos, que superam os modelos dramáticos da Grécia antiga e insurgem em produções mais contemporâneas e até minimalistas. Na maioria das situações são bailarinos muito talentosos, com boa técnica, normalmente baseada numa combinação de técnicas da modern dance, ballet clássico, técnicas de relaxamento e algumas aulas de improvisação leccionadas por professores que aprenderam estas técnicas no estrangeiro. Por outro lado, na sua formação em dança existe uma lacuna no que respeita à área criativa, nomeadamente nas disciplinas de coreologia e coreografia, e é por isso que a maioria das produções gregas carecem de uma forte capacidade de síntese e da utilização de métodos coreográficos. Mais de 100 estudantes ingressam anualmente em escolas de dança e na Greek State School of Dance (a única escola pública de dança do país), e saem todos os anos mais ou menos o mesmo número de alunos formados. As escolas oferecem diversas técnicas de dança, ignorando o lado mais teórico ou criativo da formação em dança. Os bailarinos que desejem seguir uma carreira diferente têm de ir para o estrangeiro de modo a continuar os seus estudos e receber influências de acordo com a escola que escolherem. Quando regressam à sua terra natal e começam a produzir, distinguimos facilmente uma criação com influências do Laban Institute, por exemplo, de outras com a influência coreográfica de Trisha Brown ou da técnica Cunningham, etc. Os jovens estudantes e coreógrafos têm acesso aos vários estilos e estéticas contemporâneas através de alguns festivais internacionais de dança que decorrem anualmente na Grécia. O Kalamata International Dance Festival www.kalamatadancefestival.gr, tem lugar há 11 anos consecutivos e tem atraído um vasto público de fora de Atenas, o que se deve ao reconhecimento dos coreógrafos que convidam (Merce Cunnigham, Trisha Brown, Anne Theresa de Keersamaeker, entre outros); o International Dance Festival of the Municipality of Athens www.cityofathens.gr , que embora exista há apenas 3 anos, se tornou um dos eventos de referência para os quentes dias de Verão, especialmente para aqueles que têm de permanecer em Atenas, com excepcionais coreógrafos convidados como Wim Vanderkeybus, Emio Greco ou Javier de Frutos; e o International Videodance Festival www.filmfestival.gr/videodance/uk/, oferecem um panorama geral da criação em dança contemporânea. Como resultado, podemos ver a influência destas mostras em coreografias que relembram os trabalhos de, por exemplo, Pina Bausch, Jan Fabre e Wim Vandekeybus, (apenas alguns dos nomes que visitaram a Grécia nos últimos anos e têm influenciado os coreógrafos). A produção nacional é na sua maioria apresentada pelo Festival of the Association of Greek Choreographers, que disponibiliza quatro teatros, durante um mês, para que os membros da associação apresentem os seus trabalhos, ao longo de 3 ou 4 noites. Contudo, na recta final, o festival transforma-se num rodopio, apresentando 52 performances em 30 noites consecutivas, que não são escolhidas de acordo com critérios artísticos, mas sim pelo facto dos artistas pertencerem à associação. Esta mesma associação conseguiu formar a Greek Dance Platform, um evento bianual que dura quatro dias, ao longo dos quais as companhias convidadas apresentam os seus trabalhos no prestigiado Athens Concert Hall, com o propósito de estimular a vinda de programadores estrangeiros para assistirem à dança contemporânea que se produz na Grécia. Embora a realidade financeira da Grécia ofereça actualmente mais possibilidades aos jovens estudantes gregos para se deslocarem para o estrangeiro para estudar, continua a faltar uma linguagem autêntica na dança, dentro das fronteiras deste país. Como parte da União Europeia, o desejo é de nos tornarmos mais Ocidentais, imitando uma civilização ocidental, mais do que de tentarmos desenvolver um estilo contemporâneo único, exclusivamente grego. As artes visuais são um bom exemplo de um campo criativo que se desenvolveu e conseguiu criar uma identidade contemporânea, mantendo uma forte presença no panorama artístico internacional. Todos os coreógrafos gregos terão algo único para demonstrar, um estilo individual que deverá ser completamente diferente do de qualquer outra pessoa. É verdade, se considerarmos o facto de que cada artista traça o seu caminho no que toca à vida artística, procurando encontrar a sua própria linguagem, aquela com que melhor se expressa. Como podemos então falar de um estilo britânico, belga ou alemão? Como conseguimos distinguir aqueles pequenos detalhes que atribuem à coreografia uma determinada nacionalidade? Talvez já não seja tão importante fazer estas distinções, e por outro lado a “autenticidade” da criação artística pode ser “avaliada” independentemente de fronteiras geográficas. E definitivamente, é algo difícil de estabelecer num país onde não existe solidariedade entre os colegas, dinheiros públicos para a criação artística, falta de confiança, mas onde não faltam dúvidas e abordagens negativas relativamente às novas gerações, que desejam afirmar-se no seu país e no estrangeiro. Para piorar a situação, a crítica de dança parece estar em constante hibernação, enquanto uns poucos críticos (2) imperam nesta área com as suas visões próprias, não havendo sinais de uma nova geração de críticos de dança com diferentes e renovados pontos de vista estéticos. Tendo superado, nos nossos dias, o passado histórico grego, apresentando assim produções de dança que não se baseiam unicamente na mitologia grega (como no passado), lutamos para encontrar o rosto do panorama da nova dança, um rosto que será definido pelas divergências Oriente – Ocidente e pela questão “quem queremos ser afinal?”. No fim de contas, este tipo de pressupostos levantam outra questão de identidade: “quem queremos ser enquanto gregos na era pós-olímpica e o que mais temos para mostrar ao mundo?”. Christina Polychroniadou
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A Dança Contemporânea na Grécia |
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A dança contemporânea na Grécia tem sido desenvolvida ao longo dos últimos quinze anos por criadores independentes e grupos, cujos trabalhos incidem sobretudo na experimentação a vários níveis – quer seja adoptando ou mesmo transformando e outras vezes incorporando elementos dramáticos, musicais, conjecturais e tecnológicos, criando assim um interessante panorama na área da dança. Petros Gallias |
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